All you need is love.

"A lua que eu mais gosto é a lua nova... e a crescente, porque lembra o sorriso do Cheshire Cat."
bacante boêmia vênus invisível veleia volátil e vil - em vão?

Black star dancing in the end of life.

Take these broken lights and learn to shine.

All your life, you were only waiting to this moment to be loved.

2 de agosto de 2010

Desenha-me um carneiro.


“Desenha-me um carneiro.” Disse o Pequeno Príncipe. E Beethoven compôs a Sonata Pastoral, que é delicada e enaltece a alma como o mais meigo carneirinho. O piano faz enleios,volteia notas e melodias celestiais.  É como pular e correr pelos campos. Meu coração dança no compasso da música, e minha alma se enaltece. Leves tensões na música demonstram a angústia que venho sentido. Mas logo acabam. Afinal, a vida é bela pra quem se chama Gabriela. Rimas pobres, ideias rarefeitas. Voltemos à Sonata Pastoral. É como encontrar-se com o Pequeno Príncipe e seu carneiro. O Pequeno Príncipe em um ambiente bucólico entre cuidar dos vulcões e de sua rosa e o carneiro brincando com seu fiel pastorzinho. Pois bem. Por que não chamar o Pequeno Príncipe de O Pequeno Pastor? Como em uma das peças da suíte Children´s Corner, de Debussy, que se chama 'The Litlle Shepherd'... O pequeno pastorzinho... O Pequeno Princípe era, de certa forma, o pastorzinho de um carneiro só, e jardineiro de seu planeta. ...Por que não do universo?...

“- Adieu, dit le renard. Voici mon secret. Il est très simple: on ne voit bien qu’avec le cœur. L’essentiel est invisible pour les yeux.
- L’essentiel est invisible pour les yeux, répéta le petit prince, afin de se souvenir.
- C’est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante.
- C’est le temps que j’ai perdu pour ma rose… fit le petit prince, afin de se souvenir.
- Les hommes ont oublié cette vérité, dit le renard. Mais tu ne dois pas l’oublier. Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Tu es responsable de ta rose…
- Je suis responsable de ma rose… répéta le petit prince, afin de se souvenir.”

“- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
- Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.”


... 'Je suis la rose et tu est le petit prince...'

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2 de julho de 2010

tentativa de conto

Um dia a menina acordara sem vontade de dizer nada. Não porque achasse que não havia mais nada a dizer, mas simplesmente porque achava que nada mais valia a pena ser dito; havia a pena de nada dizer, mas no entanto essa ainda era pior do que a de não dizer nada. Como viver uma vida em silêncio, se nossa sociedade é formada por palavras e diálogos o tempo todo? Como a menina irá sobreviver?  Seus pais suspeitaram de depressão ou envolvimento com álcool. Podia até ser isso, mas no fundo, no fundo profundo de sua essência, não era nada disso. Ela simplesmente desacordara sem aquele desejo de tantas palavras. E passara o dia todo apenas comendo, indo a escola e dormindo. À noite o silêncio esticava suas vertebras, que se reverberaram madrugada adentro, e de manhã o calor pedia permanência. Seu amigo não reparara a cor de suas muletas, e sim seu coração cor-de-rosa, que era muito mais do que isso. A menina boquiabriu-se. Seu amigo desmaiara, pois ela deixara escapar:

'A lua veio nos observar, mas nem nos chamou pra festa. Porque somos obrigados a comer? Quero ir a outro planeta, ao meu planeta. Sabiam que?'

Quando voltara a si, seu amigo respondeu, apontando com o dedo indicador para a sua cabeça:

'As ideias estão todas aqui dentro, não há como elas fugirem.'

Essa ideia reconfortara a menina, que começara a contar um conto sobre a história de dois insetos.